Jão lança “Memórias Póstumas”, seu quinto álbum em estúdio

Perto de completar uma década desde sua estreia fonográfica, Jão alcança o topo do pop adulto brasileiro com o lançamento de seu quinto álbum de estúdio, “Memórias Póstumas”. Afastando-se da fase conceitual pautada nos quatro elementos naturais de seus discos anteriores, o cantautor entrega uma obra expansiva, madura e profundamente confessional. O trabalho marca um salto em sua carreira, combinando uma caligrafia artística refinada a uma narrativa viva e aberta a interpretações. “Neste disco, a vida e a literatura são a mesma coisa. Quando comecei a escrever, eu precisava usar as palavras para dar novos significados às coisas”, revela o artista sobre o conceito da obra.

O coração do projeto foi forjado em um período de pausa dos palcos e recolhimento digital, profundamente atravessado pelo luto pela perda de seu pai — presença marcante na faixa de abertura, “Catedral”. A partida patronal permeia toda a atmosfera do disco, sem rodeios ou tabus. “É algo que ainda não processei e acho difícil que aconteça, porque meu pai ainda é muito presente. E as pessoas sempre têm receio de falar sobre ele comigo, mas elas não sabem que eu adoro falar sobre ele, mantê-lo vivo”, compartilha Jão. Unindo vida e literatura em um diálogo direto com a obra de Machado de Assis, ele alinhava memórias afetivas, áudios de família e reflexões gótico-românticas sobre a transitoriedade da vida.

Resultado de um processo criativo intenso que gerou 68 composições até afunilar nas 14 faixas do repertório, o álbum bebe de fontes que vão de Madonna (Ray of Light) a Marisa Monte e Kid Abelha. Refletindo sobre a liberdade com que construiu o repertório, Jão explica o fluxo de escrita: “São vários caquinhos, sentimentos que você ainda não sabe o nome e um monte de vômitos de palavras que você vai remontando e que, quando você se afasta, revelam a figura toda. A ordem deste disco está pautada em não achar uma solução para a maior pergunta dele”.

Musicalmente, a produção — assinada por Jão em parceria com Zebu, além de Janluska e Gabriel Duarte — destaca-se pela busca minuciosa por timbres únicos, com destaque para a delicadeza barroca das flautas de Audryn Souza e a presença marcante de referências religiosas. O álbum ganha ainda contornos épicos em encontros de gerações, como na faixa “O Amor”, coproduzida por Marco Mazzola e com participações de lendas como Rick Ferreira e Paulo César Barros. Além disso, traz a sensível “João”, escrita por seu parceiro Pedro Tófani, resgatando a tradição da cartografia sentimental da MPB.

Consolidando de vez sua autonomia criativa, “Memórias Póstumas” é o primeiro trabalho a trazer faixas escritas e produzidas exclusivamente por Jão. Assumindo o controle total de sua identidade sonora, ele celebra a liberdade de errar e acertar nos próprios termos: “Adoro ser o dono das minhas coisas, sempre quero comemorar e sofrer por decisões que foram minhas, e não de outras pessoas”. Entre a dor da ausência, o amor e a busca pelo inexplicável, o cantor entrega o trabalho mais sofisticado de sua carreira. O disco já está disponível em todas as plataformas digitais.